O ar que me seduz
São lágrimas condensadas
A luz que me reflete
São olhos cheios d'água
O vinho que tu bebes
Meu vinagre derramado
As vestes que te cobrem
São as minhas mãos que afagam
As flores que agora murcham
São navalhas do passado
As dores que me urgem
A tomar sua adaga
E o rosto que espia
No final do corredor
Olhas atento
A cada momento dessa dor
Os olhos confortados
Com esse ato teatral
Prestas atenção
A cada momento crucial
Se essa dor fosse minha
Se essa mão fosse minha
Se essa luz fosse minha
A lâmina faltarás
Mas essa boca que reprime
Esse toque que restringe
Esses olhos que espremem
A fim de não olhar
O meu pulso em vermelho-ouro
Nesse vício de minha solidão
Se soubesses tocar minh`alma
Me salvar da ilusão
Mas se cravas suas unhas
E traz a minha carne á perdição
Entrego ao deus-verme
Os pútridos da encarnação.
Lutene Mascheteno
domingo, 24 de agosto de 2008
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