domingo, 30 de agosto de 2009

Sublime

Sempre serão eternas as palavras que escrevo
E como em um pergaminho a durar eras
Conto tudo que meus complexos desejam
Um desabafo com a natureza
Ou um julgamento precipitado
Sabendo que eu errei, alego inocência
Mas do contrário, sou estranho, culpado.

A mente é muito mais forte quando desencorajada
Humilhada por estranhas formas de condutas
Ou em um ato sádico de auto-abandono
Flui mais rápido às idéias, aliadas à choros
Emocionado e abalado por si próprio
De forma a tornar tudo uma tragédia grega
Me apego, forçado, ainda mais ao passado.

Vivendo de dramas artificiais em momentos vagos
Restringindo-me mais forte à melancolia
As palavras fluem muito mais fácil
Mesmo marcadas em sangue e em ódio
Sacrifico um pouco de minha carne aos deuses
E um pouco de minha sanidade às noites
Afim de terminar as minhas poesias.

Divagando por entre essas correntes de dramaticidade
Esperando achar um lugar que me conforte
Que me deite em seu berço de loucura
Para eu poder escrever um pouco mais sem razão.
Mantenho me lá o tempo que eu quero
Me remoendo, me esquentando, para um grand finale
Que só espero que minha nova amada goste.

Ou, se eu preferir, um suicídio à um eu-lírico fraco:
Em um ato atormentado tomou a mão da moça
Afim que tocasse com suas unhas-navalha seu peito exposto
''Olha que fim tomou toda a coragem, virou vinagre''
E trespassado por um sonho antigo
Postou-se no chão um corpo sem vida
Com um coração rasgado.

Mas, de amores idealizados também vive um poeta
Talvez o sangue traceje uma boca perfeita
E para todos os momentos de auto-flagelo
Há alguem para com quem fugir
Mesmo idealizada, não és perfeita...
Tem tanto dos céus, quanto da terra
E seu sangue rega os desertos de meu imaginário

Quantos demônios já me perturbaram em uma noite só?
Apesar de convidá-los ao meu recinto
Não há como fugir dos pecados que eu cometi
Assassino de eu-líricos, promotor de misérias e desgraças
Assim, finalmente, o veredicto é exposto
E logo logo entrego minha alma
E o escrito está feito.

domingo, 16 de agosto de 2009

Noite


Será que os céus esconderam as feridas?
Limparam com pedaços de nuvens os traçados de sangue
Lineado uma boca na carne divina?


As estrelas espremem por uma Via Láctea vermelha
E a torrente de vinho se encaixa à Terra
Pouco em Pouco
De gota em gota


Cai dos céus e borram a aquarela
Não desfaz essa esfera, mas desenha uma outra
De sonhos vermelhos e de sóis amarelos


Outros caem em minha língua
E o sangue se torna saliva
Nem tão pouco foge de sonhos
Nem tão pouco tem gosto de feridas


O sangue que não é sangue
O sonho que não é sonho
São pedaços de essências que caíram sob meu leito
Adocicaram minha boca
Tomaram formas inteiras


E a essência que pinga das estrelas
Cai nos meus lábios e se torna um vício
Deixando minha saliva mais grossa
E já está pronta a criação das estrelas


Eis que deita em meu leito
Uma figura desnuda de tenros seios
E o sangue que deixas pingar de seu lábio
Minha boca irá tampar
Até que o vício das línguas se torne eterno
E o sangue mingue de vazar


Os olhos que mais parecem 2 luas
Pousarão na imensidão do espelho
E lá irá ficar guardado todos os seus segredos


Talvez os deuses mandaram fechar
Com as nuvens todas as luzes
Para que sejamos cobertos apenas
Pelo sereno da noite


Adentre meu palácio
Para que não sintas frio
Deixe que o fogo tome o seu corpo


Se o calor ainda não te esquentas
Se os seus joelhos falharem
E postar-se ajoelhada perante os sonhos
Com os olhos embaçados e a essência abalada
Talvez minha voz te diga, não é uma ilusão


Levante da terra e limpe seus joelhos
Os sinos badalaram a meia noite
Se não queres passar a noite no medo
Mostre as suas garras loba


Finque na minha roupa e morda os meus nervos
Até que se amanse nas palavras
E assim possa te deitar
No lençol que os deuses tecem


Olha a que fim foi destinado
À essência que caiu na minha boca
Me embriagou
Virou um vício
Deu formas a uma alucinação


Eis que o efeito se toma agora
E minha visão se escurece
Basta apenas tatear a sua carne
A encontrar seus lábios


Saciado e envenenado aos poucos
Essa loba, cria da terra e das estrelas pergunta
Você não me vê tentando ocultar minhas grandes garras?


Mas essas garras são brotos
E as pontas dos dedos, pétalas a passear no corpo
Quando não espinhos, querendo me envenenar


Ela me ataca com a boca
E me prende junto ao seu corpo
Para não sentir o frio lhe arranhar.


Ahh as noites se esticam
O vento gélido aperta os dois corpos
O toque de um esquenta o outro


Quando a lareira já não é mais suficiente
Nem tão pouco os sonhos te iludem
Aperto-lhe contra o meu corpo


A lua que espia pela janela
Nem tão pouco cede para que o sol apareça
Deixando que os dois amantes se escolham


E durante a escuridão da noite
O regozijo inimaginável
Se torna uma porta para outros mundos
E que o sangue que compartilharam
Torne mais doce a saliva em suas bocas.