domingo, 24 de agosto de 2008

Mente insana

O ar que me seduz
São lágrimas condensadas
A luz que me reflete
São olhos cheios d'água

O vinho que tu bebes
Meu vinagre derramado
As vestes que te cobrem
São as minhas mãos que afagam

As flores que agora murcham
São navalhas do passado
As dores que me urgem
A tomar sua adaga

E o rosto que espia
No final do corredor
Olhas atento
A cada momento dessa dor

Os olhos confortados
Com esse ato teatral
Prestas atenção
A cada momento crucial

Se essa dor fosse minha
Se essa mão fosse minha
Se essa luz fosse minha
A lâmina faltarás

Mas essa boca que reprime
Esse toque que restringe
Esses olhos que espremem
A fim de não olhar

O meu pulso em vermelho-ouro
Nesse vício de minha solidão
Se soubesses tocar minh`alma
Me salvar da ilusão

Mas se cravas suas unhas
E traz a minha carne á perdição
Entrego ao deus-verme
Os pútridos da encarnação.

Lutene Mascheteno

domingo, 6 de julho de 2008

Do caderno...II

Extremos

Dois extremos do ser humano
Dois extremos em mim
Anjos que guiam
Anjos que divergem
Demônios que falam
Anjos que seguem

Se todo o mal castra
As vozes que tenho
Se toda a bondade faz tudo
Acabar em silêncio
De dois extremos
Sou único inteiro

Sou todos em um
Um ser humano completo
Um inocente e um devasso
Todos ao mesmo tempo
Amor, ódio, dor e prazer
Tudo se mistura no viver

Aquele que se entrega aos pecados da carne
Aquele que se entrega inocente à sociedade
No equilíbrio do saber
No equilíbrio da carne
De dois extremos
Sou a metade

Lutene Mascheteno

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Soneto

Soneto sem nome

Com belos palácios deixe me atentar-te
De doces poesias que encantôo ao luar
Se não ouvires minhas súplicas clamar-te
Repito em mil tons “me faça sonhar”

Versos de ouro, tenho para banhar-te
Seu corpo nu à mostra do mar
Em seu peito de pura sensualidade
Retiro-me ao doce prazer de sonhar

De amor me transbordo, em paixão
Digo-lhe que não mais agüento
O tempo que passa sem razão
E lentamente acaba cedendo

A dois corações perdidos no mar
A duas almas destinadas a sonhar

Lutene Mascheteno

sábado, 28 de junho de 2008

Vitória!!! (um pouco da mente insana, palavras jogadas no papel)

Vitória!!
Outro triunfo da humanidade
Os monstros se afastam
E a luz ilumina a vida

Remanescentes de outras aventuras
Exploratórias pelo desconhecido
Lugar onde o homem nunca foi
A sua própria mente

Uma reflexão continua
De passados passados
Futuros não vividos
E presentes monótonos

Idéias esperanças
Gratitudes Ilusões
Dúvidas Perguntas
Respostas...poucas respostas

Levante e aplauda de pé
Mas um e outro e você também
Aventuraram-se e descobriram
Que há vida dentro dessa carcaça

Para aqueles que não sabiam
Uma descoberta
Para os que suspeitavam
“Eu já sabia”

O que era apenas uma questão de fé
Virou um fato cientifico
Comprovado e testado
Experimentado, mas não em animaizinhos

Em Humanos, apesar dos riscos
Enfrentamos e peitamos
Ninguém está à altura
De um digno Homo Sapiens

Mas alguns têm medo
Medo de o que encontrarás
Monstros escondidos
Anjos caídos??

Ilusão! uma viagem ao centro da mente
Impossível!!
Blasfêmia!!
Hipocrisia!!

Como ousas falar o nome do Homo Sapiens em vão
Acuso-te de pouca fé na raça humana
Descobrimos a mente e assim a usarei
Para libertar o mundo do “Eu não sabia”

Fecha os olhos
Acenda velas se quiser
Torne o momento romântico
Inspire Expire...inspire expire...não esqueça disso, é vital

A mente está clareada
Não?!
Tome um pouco mais de vinho
Podes ver agora??

Vejo! Vejo! Eu posso ver!
Ver o que?
Tudo!
Ou nada!

É complexo demais entender algo
Tão variado irrigado por memórias
banhado em lembranças
Aparado em regras

Continua o julgamento
Ciência diz “Culpado”
Deus diz “Queime-o”
Eu digo “O que?”

Paciência perdão
Reflita o acontecido
Não sou louco
Só não tô cego

Derrota!!
Era só um mito
Não houve descoberta
Perdemos contato com a equipe

Em honra de um bravo homem
Que tentava lembrar o que comeu ontem
Ou o dia do aniversario de casamento
Ou o nome de sua filha

Procurou, refletiu, acendeu as velas
Jogou um perfume, para temperar a mente
Nada!! Nada!!!NADA!!!!
Não se lembrou, se perdeu

Musica triste pois também está sendo enterrado um criminoso ao lado
Dizia-se benfeitor da humanidade, alimentando-as com mentira
Nem ele próprio sabia o que se passava com sua mente
Eu sei o que passa na minha “Que idiota”

Assim vai acabando descendo o sol se pondo
Assim vai uma neblina para tornar a cena memorável
A luz desaparece e na lápide distante, odiada e urinada
Está escrito “Não irá pensar mais nada agora”

Lutene Mascheteno

Do caderno...


De pouco em pouco
Me torno um louco
Em achar que tudo está normal
Mas meu lado são
Me diz que não
Que temos um pouco de igual

Não são as palavras
Nem os pensamentos
Nem mesmo os medos
Somos um pouco iguais
Em apenas achar
Que não somos normais

Nem ao menos estranhos
Mas simplesmente diferentes
Um pouco avulsos
Mas nada doentes
Talvez o que me atraia
Seja o seu jeito pessoal
Um pouco tímida, única e nada normal

Lutene Mascheteno

sábado, 21 de junho de 2008

Dama Branca

Pele branca serena onde se deita a neve
No despertar de um inverno freqüente
Hiberna nos olhos a graça da primavera
E rios de lágrimas quentes

No suave toque de um coração a se apaixonar
Nas loucuras de dramas que interrompe sua corrente
Ela continua a olhar distante...
Ela continua a procurar o verão que a esquente

Desses campos vestidos em branco
No saltar de uma noite fria
Dança entre as árvores
A dama branca e o vento frio

Deitada em seu berço na relva
Vejo que o branco que se empilha
Não é sal nessa floresta
É o açúcar de minhas fantasias

Leva consigo os corações do outono
Espalha sua beleza fria
Congela os rios de qualquer alma
Acoberta os meus sentidos

Quando o tempo passa e a neve derrete
O inverno se gasta e a primavera segue
Renasce ela sobre uma outra forma
Brota de novo nessa forma de rosa

Lutene Mascheteno

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pedaços

Esconde a vergonha e limpa as traças
Que corroíam a alma amassada
No fundo desse olhar vulgar
Tão frio e retocado por coágulos

No sangue transeunte de boca em boca
Que nem se incomodam em limpar o tacho
Há pedaços de sonhos esmagados
E correntes que te prendem a realidade

A força que se dá cada palavra
que em cada grafia uma facada
Ai de quem recebe a carta
Contendo palavras de dor

Aquele que escreve a amante
pedindo que não se faça distante
O amor tão pulsante
Acaba sem um sabor

Os trechos de poesia
Que junto a um canto vinha
Juntos numa hipocrisia
Viver um amor

Esconde a maldade e limpa o sangue
Que manchavam as paredes do quarto
No fundo desse lábio machucado
Tão quente e retocado por lagrimas

Nas lágrimas que caem de olho em olho
Que perversa a si próprio na dor por ódio
Há pedaços de algo que deveria ser
E correntes que te prendem ao nada

A forca que está em cada garganta
Que com poucas forças ainda canta
Apesar de subir-lhe uma ância
Recita versos passados

O abraço que está em cada momento
Nos momentos juntos ao relento
O coração agora bate mais lento
Até ficar parado

No fundo da alma ainda tocam
Os cantos e poesias que ainda brotam
Tão supérfluos ainda lotam
um coração apaixonado

Esconde os versos e limpa as rimas
As pobres almas dessa sina
Que sem fim, se estende a eternidade
Tão morno e tão suave

Dos beijos que caem de lábio em lábio
Que naum se importam em esconder os atos
Há pedaços de sonhos recriados
E uma nova história sem fim.

Lutene Mascheteno

Deuses da destruição


Nas terras de sangue em que o ódio brota
Mares enfurecidos envenenam as costas
Com pólvora e cinzas os ventos levam rosas
Para morrerem em valas enormes


No peito daqueles que o coração ainda bate
Sobram amarguras e lágrimas aos mortos
Em sangue e guerra a humanidade explode
Ferve o sangue e dói o corte


Reafirmam os cultos a nossa racionalidade
No topo da cadeia lobo come lobo
Em prol da própria superioridade
Marchamos contra quem amávamos


Humanidade suja, com sangue nas mãos
Louca e nuclear, semeia os ventos
Venenosa nas lágrimas e traiçoeira nos beijos
Humanidade de guerras e segredos


Marcados com números na linha de frente
Queima a pele as lágrimas das nuvens
Enquanto anjos cantam com as suas liras
Balas zunem e bombas rugem


Humanidade caótica e perdida
No final das contas não procura a vida
Semeia nos túmulos corpos raquíticos
Enterra-os em cinzas e medo


Lutene Mascheteno