quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pílula


Vejo em seu rosto
Numa harmonia confortante
Sereno infininito

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Morena

É tu morena, magnífica, que me prende em seu jogo
E de pouco em pouco me dominas em seu rosto
Agoniado, acuado, pelo mistério que agora se inverte
Não me sinto no controle de minha mente

És tu que passa a noite nos meus sonhos
Se diverte em me olhar rasgando o meu peito
Cobra de mim inúmeras alucinações
Brinca com minhas ilusões e meus medos

Seu olhar me provoca, seu gesto me atiça
Seu perfume me impulsiona aos seus lábios tocar
E quero explorá-la, entrar em sua mente
Me esconder no seu labirinto e te observar

És tu que me deixa tonto
Me deixa sorrindo, me deixa com febre
Arranca a minha máscara e vai embora
Com um beijo no rosto se despede.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CORPO

Olhos fechados...
boca molhada
Feridas!


Tão estranha essas grandes feridas
tomam conta
regem sobre
pensam
sua vida.


O destino escreve em papiros
Ilusões
Medos
Sonhos
Verdades
Uma escada, uma escada, uma escada, uma escada para um leito


Se sente pequena
Demasiada frágil
Medo toca sua alma
Medo, são sentimentos
A cama parece tão alta... tão distante... um outro plano
E o carinho parece ser uma salvação de seu corpo


Um corpo com medo
des-
cons-
tru-
ido.
Que busca uma razão para ser
completo]


Olhares debaixo de cílios
Que arranham a pele alheia
Num desconforto cômico
boca molhada.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Astro - Poeta

Como posso ter perdido de vista tão amada ilusão?
Enquanto o sonho partia e me deixava só, no escuro
Depois de tanto tempo longe, a anos-luz de solidão
Uma dúvida e uma boca refletiu em um sonho absurdo

Por que esse corpo de luz a qual é impossível dizer não
Brilha em uma galáxia distante, outra nebulosa, outra criação
Mas mesmo que eu pertenceste à esse outro mundo
Teria que dedicar palavras e atos à esse amor puro

Ora... observo a em meu íntimo... ora espero a brilhar
Esperando a noite cair ou a aurora surgir... que seja
Pois tuas lágrimas me afogam e teu calor me aperta.

Suas palavras mais me tocam que minha boca poderá te tocar
E dentro de minha alma espero que você veja
Que aqui, nada há a mais, que amor nesse poeta.

Lutene

domingo, 30 de agosto de 2009

Sublime

Sempre serão eternas as palavras que escrevo
E como em um pergaminho a durar eras
Conto tudo que meus complexos desejam
Um desabafo com a natureza
Ou um julgamento precipitado
Sabendo que eu errei, alego inocência
Mas do contrário, sou estranho, culpado.

A mente é muito mais forte quando desencorajada
Humilhada por estranhas formas de condutas
Ou em um ato sádico de auto-abandono
Flui mais rápido às idéias, aliadas à choros
Emocionado e abalado por si próprio
De forma a tornar tudo uma tragédia grega
Me apego, forçado, ainda mais ao passado.

Vivendo de dramas artificiais em momentos vagos
Restringindo-me mais forte à melancolia
As palavras fluem muito mais fácil
Mesmo marcadas em sangue e em ódio
Sacrifico um pouco de minha carne aos deuses
E um pouco de minha sanidade às noites
Afim de terminar as minhas poesias.

Divagando por entre essas correntes de dramaticidade
Esperando achar um lugar que me conforte
Que me deite em seu berço de loucura
Para eu poder escrever um pouco mais sem razão.
Mantenho me lá o tempo que eu quero
Me remoendo, me esquentando, para um grand finale
Que só espero que minha nova amada goste.

Ou, se eu preferir, um suicídio à um eu-lírico fraco:
Em um ato atormentado tomou a mão da moça
Afim que tocasse com suas unhas-navalha seu peito exposto
''Olha que fim tomou toda a coragem, virou vinagre''
E trespassado por um sonho antigo
Postou-se no chão um corpo sem vida
Com um coração rasgado.

Mas, de amores idealizados também vive um poeta
Talvez o sangue traceje uma boca perfeita
E para todos os momentos de auto-flagelo
Há alguem para com quem fugir
Mesmo idealizada, não és perfeita...
Tem tanto dos céus, quanto da terra
E seu sangue rega os desertos de meu imaginário

Quantos demônios já me perturbaram em uma noite só?
Apesar de convidá-los ao meu recinto
Não há como fugir dos pecados que eu cometi
Assassino de eu-líricos, promotor de misérias e desgraças
Assim, finalmente, o veredicto é exposto
E logo logo entrego minha alma
E o escrito está feito.

domingo, 16 de agosto de 2009

Noite


Será que os céus esconderam as feridas?
Limparam com pedaços de nuvens os traçados de sangue
Lineado uma boca na carne divina?


As estrelas espremem por uma Via Láctea vermelha
E a torrente de vinho se encaixa à Terra
Pouco em Pouco
De gota em gota


Cai dos céus e borram a aquarela
Não desfaz essa esfera, mas desenha uma outra
De sonhos vermelhos e de sóis amarelos


Outros caem em minha língua
E o sangue se torna saliva
Nem tão pouco foge de sonhos
Nem tão pouco tem gosto de feridas


O sangue que não é sangue
O sonho que não é sonho
São pedaços de essências que caíram sob meu leito
Adocicaram minha boca
Tomaram formas inteiras


E a essência que pinga das estrelas
Cai nos meus lábios e se torna um vício
Deixando minha saliva mais grossa
E já está pronta a criação das estrelas


Eis que deita em meu leito
Uma figura desnuda de tenros seios
E o sangue que deixas pingar de seu lábio
Minha boca irá tampar
Até que o vício das línguas se torne eterno
E o sangue mingue de vazar


Os olhos que mais parecem 2 luas
Pousarão na imensidão do espelho
E lá irá ficar guardado todos os seus segredos


Talvez os deuses mandaram fechar
Com as nuvens todas as luzes
Para que sejamos cobertos apenas
Pelo sereno da noite


Adentre meu palácio
Para que não sintas frio
Deixe que o fogo tome o seu corpo


Se o calor ainda não te esquentas
Se os seus joelhos falharem
E postar-se ajoelhada perante os sonhos
Com os olhos embaçados e a essência abalada
Talvez minha voz te diga, não é uma ilusão


Levante da terra e limpe seus joelhos
Os sinos badalaram a meia noite
Se não queres passar a noite no medo
Mostre as suas garras loba


Finque na minha roupa e morda os meus nervos
Até que se amanse nas palavras
E assim possa te deitar
No lençol que os deuses tecem


Olha a que fim foi destinado
À essência que caiu na minha boca
Me embriagou
Virou um vício
Deu formas a uma alucinação


Eis que o efeito se toma agora
E minha visão se escurece
Basta apenas tatear a sua carne
A encontrar seus lábios


Saciado e envenenado aos poucos
Essa loba, cria da terra e das estrelas pergunta
Você não me vê tentando ocultar minhas grandes garras?


Mas essas garras são brotos
E as pontas dos dedos, pétalas a passear no corpo
Quando não espinhos, querendo me envenenar


Ela me ataca com a boca
E me prende junto ao seu corpo
Para não sentir o frio lhe arranhar.


Ahh as noites se esticam
O vento gélido aperta os dois corpos
O toque de um esquenta o outro


Quando a lareira já não é mais suficiente
Nem tão pouco os sonhos te iludem
Aperto-lhe contra o meu corpo


A lua que espia pela janela
Nem tão pouco cede para que o sol apareça
Deixando que os dois amantes se escolham


E durante a escuridão da noite
O regozijo inimaginável
Se torna uma porta para outros mundos
E que o sangue que compartilharam
Torne mais doce a saliva em suas bocas.

domingo, 31 de maio de 2009

Diálogo entre pensamentos

Por que a noite se tornou mais escura, enquanto eu deixava de lado qualquer pretensão que minh`alma tivera? Seria verdade que toda a minha euforia tomou a forma de tragédia? Por mais estranho que essa noite se tornara, ela deixou transparecer miúdos segredos que apenas os astros um dia já souberam. Assim, que eu também revelava minhas intenções para a lua, de forma a mediar minhas últimas ações ou julgar-me perante uma imparcialidade astral, me vi perdido no meio de dúvidas que, até hoje, espero que o futuro as responda.
Por mais estranho que seja, ter o corpo tomado por aflições, a pele se repuxar, os músculos se contraírem e os pelos se eriçarem a cada vez que tua mente te leva à sua maravilhosa utopia, as cores desse mundo te enganam. És nada do que mais um pouco de dor, numa torrente de agonia que desce dos céus até o centro de seu peito. É um pouco triste pensar que vinho deverias tomar para liberar-te dessa forma de inseto.
Mas se esse vinho pudesse acabar com o vicio de minha solidão, liberar meus pulmões afim de que eu possa respirar o perfume que ela exala, é um sacrifício que devo tomar, se embriagar com o cálice dos deuses. Se toda verdade fosse mais lúcida, impedindo me de cambalear por entre fronteiras do material e sentimental, talvez assim, eu pudesse seguir a noite sem pensar nela.
Mas todo pensamento é fraco, assim como toda ação é tímida, se não sois forte o suficiente para admitir o fato, deverias perecer no seu íntimo. É estranho admitir, que não sairás de sua forma-inseto, nem tomarás o cálice necessário, está coberto de insensatez e ilusão. Mas talvez, se generoso, o deus-verme, tomará sua existência afim de não se preocupar mais com assuntos tão etéreos.
Não duvido de mim, tenho fé que possuo uma forma humana, sigo a constelação que desenha nos céus uma boca, tomada por ralas nuvens negras, mas sem perder o contorno que a eleva ao divino. Não somente os céus me guiam como sua graça marca o caminho pela floresta, e mesmo assim posso sentir seu perfume guiar-me. Que formas inesperadas tomou tudo aquilo que imaginava ser nada. Tornou-se quase tudo. E nesse quase-tudo minha alma suplica por um fim ou um começo.
Não ache que apenas começou, o maravilhoso circo de sua vida é um espetáculo único sem volta, quando as cortinas se fecharem, voltarás a ser apenas fraco. Por mais excitado que estejas com o momento presente, o futuro lhe aguarda o esgotamento e a exaustão, assim não sobrarás mais nada em ti, apenas covardia. Teria o necessário para se livrar dessas correntes? Ou esperaria por sua carne se tornar alimento aos abutres que o rodeiam desde o momento que enlouqueceu.
Não irei sucumbir, por mais que o sangue invada meu paladar e minha respiração fique ofegante, meu peito irá regar essas terras áridas que agora atravesso. Entreguei meus versos em troca de sinais que me levem a ela, entreguei minhas noites em confissões à lua, tudo para que eu possa deitá-la no lençol que os deuses teceram. E assim, quando meus medos acabarem, e de meu vício me libertar, serás imortal em meu pensamento.