Por que a noite se tornou mais escura, enquanto eu deixava de lado qualquer pretensão que minh`alma tivera? Seria verdade que toda a minha euforia tomou a forma de tragédia? Por mais estranho que essa noite se tornara, ela deixou transparecer miúdos segredos que apenas os astros um dia já souberam. Assim, que eu também revelava minhas intenções para a lua, de forma a mediar minhas últimas ações ou julgar-me perante uma imparcialidade astral, me vi perdido no meio de dúvidas que, até hoje, espero que o futuro as responda.
Por mais estranho que seja, ter o corpo tomado por aflições, a pele se repuxar, os músculos se contraírem e os pelos se eriçarem a cada vez que tua mente te leva à sua maravilhosa utopia, as cores desse mundo te enganam. És nada do que mais um pouco de dor, numa torrente de agonia que desce dos céus até o centro de seu peito. É um pouco triste pensar que vinho deverias tomar para liberar-te dessa forma de inseto.
Mas se esse vinho pudesse acabar com o vicio de minha solidão, liberar meus pulmões afim de que eu possa respirar o perfume que ela exala, é um sacrifício que devo tomar, se embriagar com o cálice dos deuses. Se toda verdade fosse mais lúcida, impedindo me de cambalear por entre fronteiras do material e sentimental, talvez assim, eu pudesse seguir a noite sem pensar nela.
Mas todo pensamento é fraco, assim como toda ação é tímida, se não sois forte o suficiente para admitir o fato, deverias perecer no seu íntimo. É estranho admitir, que não sairás de sua forma-inseto, nem tomarás o cálice necessário, está coberto de insensatez e ilusão. Mas talvez, se generoso, o deus-verme, tomará sua existência afim de não se preocupar mais com assuntos tão etéreos.
Não duvido de mim, tenho fé que possuo uma forma humana, sigo a constelação que desenha nos céus uma boca, tomada por ralas nuvens negras, mas sem perder o contorno que a eleva ao divino. Não somente os céus me guiam como sua graça marca o caminho pela floresta, e mesmo assim posso sentir seu perfume guiar-me. Que formas inesperadas tomou tudo aquilo que imaginava ser nada. Tornou-se quase tudo. E nesse quase-tudo minha alma suplica por um fim ou um começo.
Não ache que apenas começou, o maravilhoso circo de sua vida é um espetáculo único sem volta, quando as cortinas se fecharem, voltarás a ser apenas fraco. Por mais excitado que estejas com o momento presente, o futuro lhe aguarda o esgotamento e a exaustão, assim não sobrarás mais nada em ti, apenas covardia. Teria o necessário para se livrar dessas correntes? Ou esperaria por sua carne se tornar alimento aos abutres que o rodeiam desde o momento que enlouqueceu.
Não irei sucumbir, por mais que o sangue invada meu paladar e minha respiração fique ofegante, meu peito irá regar essas terras áridas que agora atravesso. Entreguei meus versos em troca de sinais que me levem a ela, entreguei minhas noites em confissões à lua, tudo para que eu possa deitá-la no lençol que os deuses teceram. E assim, quando meus medos acabarem, e de meu vício me libertar, serás imortal em meu pensamento.
domingo, 31 de maio de 2009
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