Esconde a vergonha e limpa as traças
Que corroíam a alma amassada
No fundo desse olhar vulgar
Tão frio e retocado por coágulos
No sangue transeunte de boca em boca
Que nem se incomodam em limpar o tacho
Há pedaços de sonhos esmagados
E correntes que te prendem a realidade
A força que se dá cada palavra
que em cada grafia uma facada
Ai de quem recebe a carta
Contendo palavras de dor
Aquele que escreve a amante
pedindo que não se faça distante
O amor tão pulsante
Acaba sem um sabor
Os trechos de poesia
Que junto a um canto vinha
Juntos numa hipocrisia
Viver um amor
Esconde a maldade e limpa o sangue
Que manchavam as paredes do quarto
No fundo desse lábio machucado
Tão quente e retocado por lagrimas
Nas lágrimas que caem de olho em olho
Que perversa a si próprio na dor por ódio
Há pedaços de algo que deveria ser
E correntes que te prendem ao nada
A forca que está em cada garganta
Que com poucas forças ainda canta
Apesar de subir-lhe uma ância
Recita versos passados
O abraço que está em cada momento
Nos momentos juntos ao relento
O coração agora bate mais lento
Até ficar parado
No fundo da alma ainda tocam
Os cantos e poesias que ainda brotam
Tão supérfluos ainda lotam
um coração apaixonado
Esconde os versos e limpa as rimas
As pobres almas dessa sina
Que sem fim, se estende a eternidade
Tão morno e tão suave
Dos beijos que caem de lábio em lábio
Que naum se importam em esconder os atos
Há pedaços de sonhos recriados
E uma nova história sem fim.
Lutene Mascheteno
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